Efeitos do secularismo na Inglaterra: para 20% das crianças inglesas, Jesus Cristo é um jogador de futebol

Para 20% das crianças inglesas, Jesus Cristo é um jogador de futebol
Uma pesquisa recente realizada pelo YouGov mostraram estatísticas reveladoras sobre a religião na Inglaterra, nação que já foi berço de grandes movimentos de fé.

Em resposta à pergunta “Qual é a sua religião?”, 40% dos adultos disse “nenhuma religião”, 55% eram cristãos e 5% de outras religiões. Contudo, entre os mais jovens, esses números mudam. Apenas 38% se consideram cristãos, enquanto 53% dizem não ter religião.

Um estudo realizado este mês para o Shopping Brent Cross entrevistou mil crianças inglesas. Vinte por cento delas acreditam que Jesus Cristo é um jogador do time de futebol Chelsea. Foi lhes perguntado “Quem é Jesus Cristo” e dadas as seguintes alternativas:

1. Um jogador do Chelsea
2. O Filho de Deus
3. Participante do programa X-Factor
4. Um astronauta

Curiosamente, existe na liga inglesa um jogador espanhol relativamente conhecido, chamado Jesus Navas. Porém, ele atua pela equipe do Manchester City.

A constatação de que muitas crianças acreditem que Jesus Cristo joga futebol não é o único achado preocupante. De acordo com os resultados, menos da metade afirmou que ele é o Filho de Deus. A pesquisa mostra ainda que 25% delas pensam que os pastores encontraram o bebê Jesus com a ajuda do Google Maps. Pouco mais de 10% dizem que Maria deu à luz em uma igreja. Questionadas sobre o que é comemorado no Natal, 52% das crianças entrevistadas acreditam que trata-se do aniversário do Papai Noel.

Esse estudo se alinha a outro, realizado pela Sociedade Bíblica Britânica no início de 2014, o qual revelou que 25% dos britânicos acredita que o Super-Homem, um dos heróis mais famosos dos quadrinhos é mencionado pela Bíblia. Ao mesmo tempo, cerca de 30% não sabia dizer onde na Bíblia aparecem as figuras de Adão e Eva, 50% não sabiam que a Arca de Noé é uma história bíblica, 60% nunca ouviu falar do milagre da multiplicação de pães e 90% não conhece o rei Salomão.

Fonte: GP

ATENÇÃO, alunos de TEOLOGIA em Recife e na RMR: 3ª turma de CONVALIDAÇÃO! Matriculas abertas!!

ATENÇÃO, ALUNOS DE TEOLOGIA!!

Há rumores de que este ano (2015) será, de fato, o ano final das CONVALIDAÇÕES de Teologia. Como vários alunos sabem, temos, no anexo à IEVCA – Igreja Evangélica Aliança, um centro de estudos, que estou intitulando de Instituto Aliança de Linguística, Teologia e Humanidades. Em parceria com as instituições FATIN-UNINTER, estamos promovendo a 3ª TURMA DE CONVALIDAÇÃO EM TEOLOGIA, que funcionará todo quarto sábado do mês, a partir de Janeiro de 2015. AS MATRÍCULAS PARA ESTA TURMA JÁ ESTÃO ABERTAS!!!

Portanto, corra e faça logo sua matrícula. A portaria do MEC proibindo quaisquer convalidações PODE SAIR A QUALQUER MOMENTO e, uma vez que a mesma sair, não se poderão mais promover cursos de convalidação. Contudo, os cursos abertos ANTES da portaria terão vigência garantida!!!

Para maiores informações, ligue: (081) 9106-2354/8414-5525/8834-8016. Fale com o Pr. Artur ou com Henrique Soares, que me auxilia secretariando as turmas de convalidação em Teologia.

PÓLO IALTH (CID. UNIVERSITÁRIA): fácil localização, com ônibus para praticamente todas as partes da RMR. Oferecemos cantina, wi-fi grátis, ambiente climatizado, cadeiras acolchoadas. Principalmente para os alunos das regiões Norte, Leste e Oeste da cidade (Casa Amarela, Cordeiro, Engenho do Meio, Várzea, Camaragibe, Mons. Fabrício, Iputinga, Madalena, Torre, Detran, Casa Forte, Prado, Alberto Maia, Timbi, etc.). Faça-nos uma visita.

Convalidação MEC - IALTH

Escolástica e o resgate de uma sólida formação intelectual

Seven-Liberal-Arts

Hoje em dia, quando falamos de escola, pensamos logo em crianças sentadas, brigando com cadernos e lápis, aprendendo a ler, escrever e fazer contas. Em suma, a escola é o trabalho infantil que a sociedade tolera ou incentiva. Na Grécia antiga, contudo, o termo “scholê”, que foi dar origem à moderna palavra “escola”, significava “ócio”, não trabalho. O ócio – ou, mais exatamente, a ausência de necessidade de trabalhar; “estar com a vida ganha” – era justamente percebido como um pré-requisito indispensável à cultura. Quem precisa trabalhar oito horas por dia dificilmente terá tempo para dedicar-se aos estudos.

O interesse maior atual é fazer algo que dê dinheiro: as universidades, em consequência disto, tornaram-se na prática cursos técnicos, em que são transmitidas técnicas de um campo restrito do conhecimento, e nada mais. Nada poderia ser mais diferente do que eram as universidades, surgidas da união de várias pequenas “escolas” – hoje diríamos “faculdades” –, na Idade Média européia.

O que movia o aprendizado era o oposto da ganância material; pelo contrário, esperava-se que todos os que adentrassem os estudos superiores – os chamados “escolásticos” – fizessem votos monásticos! Isto não significa que o estudo fosse o apanágio de um pequeno grupo, muito menos que apenas os ricos pudessem estudar, como infelizmente prega a lenda negra. Todo mosteiro tinha uma escola primária, para as crianças da vizinhança, principalmente os filhos dos agricultores. Os nobres, ao contrário, raramente dispunham-se a estudar; afinal, o ofício das armas tomava-lhes o tempo livre, e sempre haveria um clérigo letrado por perto se fosse necessário ler ou escrever algo.

Quando alguém demonstrava talento e interesse por estudos superiores, normalmente entrava para uma congregação monástica para desenvolvê-los sem se preocupar com o sustento de uma família. Evidentemente, houve alguns tristes casos em que havia vocação para os estudos mas não vocação monástica, como na célebre história de Abelardo, o monge professor que se apaixona por sua aluna Heloísa.

O objetivo dos estudos era o aprofundamento na verdade, não o ganho material. Mesmo assim, dos estudos desenvolvidos nas escolas medievais surgiu a ciência moderna, tornada possível pela percepção cristã do mundo como obra de um Deus criador, indiretamente conhecido pela ordem do universo. Ao contrário do que ocorre hoje em dia, contudo, os escolásticos tinham regras rigorosíssimas para evitar o erro. Afinal, o objetivo era encontrar a verdade, não jeitinhos. Dentre as regras de raciocínio por eles seguidas, a que mais difere do modo de operação das ciências modernas é a proibição de generalizar. Enquanto um cientista moderno considera perfeitamente natural que se extrapole a regra universal o resultado de uma experiência realizada com um universo minúsculo de objetos (se 50 pessoas emagrecem com o remédio tal, estaria provado que qualquer um emagrece ao tomá-lo), o escolástico só admitia fazer o percurso contrário, do maior ao menor (se todos os seres humanos precisam respirar para viver, pode-se deduzir que aquele ser humano também precisa).

As escolas, já presentes nos mosteiros desde o Século VI, foram tremendamente auxiliadas por Carlos Magno, que mandou vir da Irlanda professores capacitados e tornou obrigatória a existência de uma escola anexa a cada abadia. Com o fim do Império Romano, a confusão predominante havia provocado a perda de enorme parcela do conhecimento acumulado até então. A Irlanda, contudo, por não ter sido jamais parte do Império, foi preservada da desordem e pôde manter intactas, sendo permanentemente estudadas e copiadas, obras antigas que não mais eram encontradas no resto da Europa. Podemos comparar a situação da Irlanda de então com a do Brasil de hoje: uma guerra ou convulsão social que venha a destruir os centros da civilização ocidental na Europa e na América do Norte dificilmente atingiria as bibliotecas instaladas em Campina Grande ou Carmo de Minas.

Aos autores preservados pelos monges irlandeses, somam-se os que chegaram ao conhecimento e ao estudo dos escolásticos por intermédio da intelectualidade judia. São Tomás de Aquino, por exemplo, estudou e citou frequentemente o filósofo aristotélico judeu Maimônides. A preocupação com a busca da verdade fazia também com que nada fosse considerado incogitável. Ao contrário do que ocorre hoje, quando os estudos superiores consistem na apresentação sistemática de uma série de “vacas sagradas”, cujos ensinamentos frequentemente contraditórios são o objeto dos estudos, para os escolásticos tudo deveria ser examinado, em busca de fraquezas, inconsistências e pontos falhos.

O estudo dos textos era extremamente aprofundado, tomando-se não apenas o sentido geral, mas também a etimologia de cada palavra, a escolha terminológica, etc., de modo a alcançar a compreensão mais perfeita possível. Em seguida, cada texto era submetido a uma busca de contradições lógicas, em que se procurava evidenciar qualquer inconsistência em relação não só ao próprio texto, como às obras de outros autores que no texto teoricamente seriam aceitas como verdadeiras. Quando se pensa que em nossas universidades, hoje em dia, os alunos mal leem cópias de um ou dois capítulos de um livro, vemos o quanto decaiu o ensino.

O ambiente era de discussão e debate; os professores colocavam-se regularmente à disposição dos alunos para debater qualquer tema e responder qualquer pergunta, em público, em um palco montado em espaço aberto na própria universidade. Este espetáculo, inimaginável em nossos dias, era não apenas comum como fielmente registrado por taquígrafos, de tal forma que temos hoje ainda acesso às respostas dadas por São Tomás de Aquino a perguntas como “Seria a verdade mais forte que o vinho, o rei ou a mulher?” (Quodlibet XII,14,1). Afinal, o aluno podia brincar, mas o professor estava obrigado a responder como se a questão fosse séria.

Cada resposta levava em consideração os argumentos contrários, dando-lhes uma tal importância que para o leitor moderno é até difícil entender, quando apresentado a um texto escolástico, o que o autor está realmente defendendo. A forma padrão destes textos é a seguinte:

Primeiro, na forma de uma pergunta, a opinião errada. Em seguida, cada um dos argumentos passíveis de emprego na defesa do erro, apresentados da melhor forma possível. Depois, uma citação de autoridade apresentando a posição correta, seguida de uma resposta em que ela é explicitada e explicada minuciosamente, vindo então a resposta ponto a ponto dos argumentos em prol da opinião errônea apresentados no início do texto. Quando se compara esta prática à atual, em que qualquer argumento contrário à tese avançada pelo autor é cuidadosamente escondido, é fácil perceber qual prática é mais intelectualmente honesta.

O currículo inicial de estudos consistia no chamado Trívio (Trivium = Três Caminhos – grifo nosso): gramática, lógica e retórica. Por estes instrumentos o aluno ganhava domínio do discurso, tornando-se capaz não apenas de entender o que lhe fosse apresentado, mas também de expressar de forma clara e distinta as conclusões a que chegasse. A gramática, evidentemente, era a latina. O uso do latim, língua universal dos estudantes, fazia com que qualquer pessoa pudesse estudar em qualquer lugar, sem os inúmeros problemas causados hoje em dia pelo uso das línguas locais nas instituições de ensino. Italianos estudavam lado a lado com alemães, ingleses e espanhóis na Universidade de Paris, comunicando-se sem problema algum em latim. O estudo da lógica fazia com que qualquer raciocínio que lhes fosse apresentado pudesse ser levado às últimas consequências e testado em busca de erros e inconsistências. A retórica, finalmente, tornava o estudante capaz de transmitir o seu conhecimento de forma agradável e eficiente.

Como continuação dos estudos fundamentais, equivalendo aproximadamente ao nosso ensino médio, encontrava-se o Quadrívio (Quadrivium = Quatro Caminhos – grifo nosso) aritmética, geometria, música e astronomia. Note-se que, enquanto os objetos de estudo do Trívio dizem respeito às palavras, o Quadrívio gira em torno dos números. A aritmética é a relação dos números uns com os outros; a geometria é a aplicação primeira destas relações numéricas ao mundo real, ao nosso entorno. Dado o triste estado do ensino no Brasil de hoje, cabe lembrar que não se trata de decorar fórmulas, mas sim de relacionar os números às formas que percebemos no nosso entorno. Destes estudos geométricos e aritméticos surgiu a arquitetura medieval, até hoje nunca ultrapassada. Catedrais como Notre Dame de Paris, construídas em pedra pesadíssima, sem recurso aos cimentos e colas de hoje, são um testemunho eloquente da importância destes estudos.

Mas os números vão ainda além: a música é uma forma ainda mais alta de aplicação prática da matemática, em que as frequências da vibração do ar causada pelos instrumentos criam beleza em estado bruto. O estudo da harmonia musical é um estudo não apenas matemático, mas também diretamente ligado à própria percepção do Belo. A partir destes estudos, chega-se, finalmente, ao que era chamado “a música das esferas”: o estudo da astronomia, dos movimentos dos corpos celestes, que, em ordem perfeita, traçam formas de luz no firmamento. Tendo concluído estes estudos iniciais, estava o aluno pronto para adentrar o estudo da filosofia, o estudo das coisas, da própria realidade.

Hoje, quando se fala da escolástica, em geral é à filosofia escolástica que nos referimos. Ela era, no entanto, uma ferramenta, não um objetivo final. As descobertas da filosofia escolástica em muitas áreas até hoje não foram ultrapassadas; em outras, o que foi descoberto há oitocentos anos está agora sendo comprovado. É o caso, por exemplo, do estudo da percepção e compreensão humanas, em que a medicina, graças às técnicas não invasivas modernas (ressonância, tomografia, etc.), pela primeira vez consegue discernir visualmente o funcionamento do cérebro humano, confirmando as descobertas feitas por São Tomás há 800 anos.

O estudo da natureza, da fisiologia, dos processos mentais e de tudo o mais que hoje é dividido em miríades de ciências isoladas era compreendido na chamada Filosofia Natural, parte integrante da filosofia. Devido ao modo como estes estudos eram encetados, todavia, não se corria o risco atual de isolar tão completamente uma ciência da próxima que não seja possível a um praticante ter acesso aos dados de outra; ao contrário, a visão que se tinha delas era necessariamente sistêmica, unindo a todas num mesmo corpus de conhecimento.

Hoje ainda se tem uma vaga lembrança deste processo nos países de língua inglesa, em que o doutorado é dito “PhD”, abreviação de “doutorado em filosofia”. Isto ocorre porque se esperava que um escolástico que se entregasse ao estudo de uma área específica (médica, física, biológica, psicológica, legal, etc.) passasse depois a traçar a ligação e a união do discernido em seus estudos com todas as outras áreas de conhecimento, fazendo a filosofia da medicina, da física, da biologia, da psicologia, do direito…

A formação escolástica inicial em filosofia, assim, era o passo inicial para um aprofundamento dentro de algum campo dela. Estudava-se filosofia para que se tivesse uma base de conhecimento e uma ferramenta adequada para que qualquer outro estudo fosse feito com proveito, somando-se a verdade encontrada nestes estudos a todo o corpus de conhecimento adquirido pelos outros estudiosos anteriores e contemporâneos. Este processo de estudos fez com que a escolástica provocasse um aumento do conhecimento humano não apenas quantitativo, mas também em qualidade. Nenhuma hipótese deixava de ser examinada, e nenhum erro deixava de ser apontado, erigindo-se um edifício de conhecimento e compreensão da criação que jamais teve igual.

O único problema, todavia, é que sempre houve e sempre haverá quem se interesse mais pela mentira confortável que pela verdade que incomoda. A escolástica jamais foi diretamente atacada; os conhecimentos obtidos nos estudos escolásticos jamais foram provados errados. Ao contrário: a sociedade do dito Renascimento, procurando livrar-se daquelas verdades incômodas, procurou negá-las em bloco e ridicularizá-las.

Um tesouro inimaginável foi deixado de lado em prol de besteiras e mentiras da moda. Os estudos de São Tomás sobre como se processa o conhecimento humano foram substituídos por teorias farsescas (cartesiana, kantiana), hoje atacadas duramente, com razão, pela neurologia moderna. Os estudos de economia da Escola de Salamanca deram lugar às mentiras e às simplificações ideológicas posteriores, até que no Século XX o que fora discernido pelos escolásticos fosse novamente percebido pelos estudiosos da economia.

Este divórcio entre as ciências, causado pelo abandono do método escolástico, levou-nos à absurda situação atual, em que os gigantescos avanços da tecnologia convivem com os erros mais delirantes na compreensão do mais básico no ser humano, como os delírios da teoria de gênero. Para tornar ainda mais insustentável a negação da escolástica, as mentiras e distorções criadas para servir de desculpa para a negação em bloco do conhecimento escolástico continuam em circulação. Por exemplo, os estudos escolásticos sobre os efeitos da atenção focada sobre o seu objeto – tema redescoberto pela física moderna apenas no final do século passado – na versão farsesca que busca ridicularizá-los, virou “quantos anjos podem dançar na cabeça de um alfinete”.

Nem tudo, contudo, está perdido. Estes conhecimentos, tão verdadeiros hoje quanto quando foram pela primeira vez discernidos, ainda estão à nossa disposição. Não são objetos de estudo nas universidades – que se transformaram em cursos técnicos, ensinando algum ofício a artesãos em busca de uns trocados – mas podem ser estudados por quem quer que tenha acesso à internet. A filosofia escolástica, bem como as matérias do Trívio e do Quadrívio, continuam a ser a mais perfeita preparação para qualquer estudo superior, e graças às técnicas modernas de comunicação é hoje possível a qualquer um, em qualquer lugar, ter acesso a estas disciplinas.

A escolástica não morreu; apenas foi ocultada de nossos olhos por uma loucura passageira. Redescubramo-la.

Fonte: Revista Vila Nova

Putin elogia aliança entre Hitler e Stálin na 2ª Guerra Mundial

Assinatura do pacto Ribbentrop-Molotov
aliança entre a Alemanha de Hitler e a União Soviética.
Stalin sorri sob a foto de Lenine.

Não há segredo, mas houve muita ocultação nos manuais ocidentais de história: Hitler e Stalin foram grandes aliados e desencadearam conjuntamente a II Guerra Mundial. E, em certo sentido, essa aliança, aparentemente rompida no transcurso da guerra, nunca deixou de funcionar. E perdura como se nunca tivesse sido quebrada. Mas muitas pessoas no Ocidente foram enganadas por uma propaganda e uma visualização confusa dos fatos. Agora o presidente russo Vladimir Putin acaba de reafirmar – mais uma vez, aliás – a simpatia de Moscou pelo tratado de não-agressão de 1939 entre os dois ditadores europeus.

Com o cinismo e a sem-cerimônia que lhe são peculiares, Putin eximiu a URSS de culpa pela invasão da Polônia e responsabilizou os britânicos pelas atrocidades praticadas por Hitler com a colaboração dos soviéticos e dos partidos comunistas do Ocidente. Putin convocou diversos pesquisadores e acadêmicos para produzir trabalhos defendendo que ao assinar o Pacto Ribbentrop-Molotov, também conhecido como Pacto Hitler-Stalin, a URSS não fez nada de mau. A reunião com os acadêmicos foi referida pelo site alemão Spiegel Online, pelo The New York Times e pelo diário britânico The Telegraph, citados pela radio oficial alemã“Deutsche Welle”.

Putin declarou que toda pesquisa digna de crédito deveria chegar à conclusão de que o acordo entre os dois ditadores era parte dos métodos de política externa da época. Obviamente, o historiador que não demonstrar isso perderá crédito e sua carreira estará liquidada na “nova URSS”. “A União Soviética assinou um tratado de não-agressão com a Alemanha. As pessoas dizem: ‘Ah, isso é ruim.’ Mas o que há de ruim no fato de a URSS não querer lutar?”, sofismou o líder russo. Putin queixou-se de que a potência russa é acusada de ter dividido a Polônia. Mas, segundo ele, quando a Alemanha atacou o país, os poloneses faziam parte da Checoslováquia. Se alguém entendeu a lógica do argumento, por favor, avise.

Parada conjunta da Wehrmacht e do Exército Vermelho
comemora a invasão vitoriosa da Polônia, em Brest.
General alemão Heinz Guderian e brigadeiro russo Semyon Krivoshein.

Para ele, segundo “The Telegraph”, o acordo nazi-comunista foi no fundo bem feito pela Rússia e acabou sendo bom. Moscou negava cinicamente a existência do pacto Ribbentrop-Molotov até 1989. Mas não adiantou silenciar a verdade ovante. Assinado pelo ministro do Exterior do Terceiro Reich, Joachim von Ribbentrop, e pelo seu homólogo soviético Viatcheslav Molotov, o tratado garantia à Alemanha que a URSS permaneceria neutra no caso de uma ofensiva contra a Polônia. Em 2009, na cerimônia pelos 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial, em Gdansk, Putin já havia tentado defender o Pacto entre Hitler e Stalin.

O acordo com a Alemanha hitlerista permitiu a invasão conjunta nazi-soviética da Polônia que foi o estopim da II Guerra. Mas Putin fugiu pela tangente alegando que não foi a única causa e, tal vez não teve culpa nenhuma. Putin repete o velho realejo comunista anti-capitalista: a culpa pelas atrocidades de Adolf Hitler é dos capitalistas e dos anglo-saxões. De fato, em 1938, os governos amolecidos da Inglaterra, a Itália e a França assinaram o vergonhoso Acordo de Munique, em que entregaram os pontos diante da Alemanha nazista. Mas houve pessoas ilustres até no Brasil como Plinio Corrêa de Oliveira que execraram esse acordo.

O próprio Putin lembrou no encontro com os historiadores, que o futuro primeiro-ministro britânico Winston Churchill censurou o Acordo de Munique dizendo: “Agora a guerra é inevitável”. Na verdade, a famosa apóstrofe de Churchill, em 3 de outubro de 1938, foi mais incisiva: “Tínheis que optar entre a guerra e a vergonha. Escolhestes a vergonha e tereis a guerra”. É o que muitos pretensos defensores de Ocidente parecem fazer hoje, ao contemporizar com Vladimir Putin e com suas invasões de países vizinhos!

Fonte: Flagelo Russo

Protestos pedem fim da “islamização” da Europa

Protestos pedem fim da “islamização” da Europa

Uma série de protestos contra o crescente movimento de islamização da Alemanha e da Europa como um todo, tomou as ruas de cidades alemãs nesta segunda (8). Entre as diversas bandeiras, destaca-se quem pede pela reafirmação das raízes cristãs da Alemanha. Apesar da temperatura abaixo de zero, cerca de 10 mil pessoas marcharam em Dresden, no Leste do país. Os responsáveis pela manifestação são parte do Pegida, sigla em alemão para Europeus patriotas contra a islamização do Ocidente. Outra manifestação semelhante aconteceu em Munique e Düsseldorf, no oeste, mas em menor número.

Curiosamente, em Dresden, ocorreu uma manifestação paralela, contra o grupo Pegida organizada por igrejas cristãs, organizações judaicas e islâmicas. Segundo eles, trata-se de uma questão de xenofobia, não de religião. Protestos contra a islamização da Alemanha vem ocorrendo há dois meses, em diferentes locais. O movimento continua crescendo. Analistas chamam atenção para o fato de que no Estado da Saxônia, onde Dresden é a capital, a presença de muçulmanos é ínfima, cerca de 0,1% da população. A grande maioria dos muçulmanos vivem na parte ocidental da Alemanha. Por isso, o movimento é visto como preventivo.

A Alemanha hoje é o segundo país do mundo que mais recebe imigrantes, ficando atrás apenas dos EUA. A imensa maioria são turcos, que já formam comunidades numerosas em várias partes do país. Nos últimos meses, grandes quantidades de sírios tem pedido asilo político. O país discute no momento um projeto de lei que obrigaria os imigrantes a falar alemão em casa. Berço da reforma protestante, que mudou o quadro religioso da Europa para sempre, a Alemanha também vive ainda com o “fantasma” do nazismo. A manifestação contra um grupo específico (muçulmanos em lugar de judeus) faz com que muitos alemães associem as duas coisas.

Nos últimos anos, vários estudiosos vêm falando sobre as mudanças em países europeus em consequência das crescentes populações muçulmanas. Na Alemanha são 4 milhões, na França, 5 milhões, no Reino Unido, cerca de 3 milhões.  Seu crescimento demográfico é muito superior ao da restante população, o que sugere que dentro de meio século eles poderão ser maioria em vários países. Além de mais numerosos, os imigrantes cresceram em poder político. Em vários países europeus, antigas igrejas foram convertidas em mesquitas.  Segundo a Agência de Segurança para os Judeus da França (PECJ) ocorreu um aumento de 45% nos ataques antissemitas desde 2011, na sua maioria perpetrados por muçulmanos.

Em Londres, um movimento iniciado pelo pregador islâmico Abu Izzadeen, pede: “Sharia para o Reino Unido!”. Na Grã-Bretanha já existem regiões de maioria islâmica, onde circulam milícias que vigiam o cumprimento da lei islâmica nos costumes, uma verdadeira patrulha religiosa que só era vista em países fundamentalistas.

Fonte: GP

Quase metade dos brasileiros é sedentária, 15% fumam e 28% veem muita TV

Esqueça a imagem do brasileiro saudável, que passa boa parte do tempo ao ar livre. Quase a metade da população com 18 anos ou mais do país –46%, segundo dados do IBGE–, é sedentária, 28,9% assistem a três horas ou mais de televisão por dia e 15% fumam ou usam produtos derivados do tabaco. Os dados fazem parte da PNS (Pesquisa Nacional de Saúde), divulgada nesta quarta-feira (10). Esta é a primeira vez que a pesquisa é realizada.

Por sedentária entende-se a parcela da população considerada “insuficientemente ativa”, ou seja, que pratica menos de 150 minutos de atividade física por semana, seja nos momentos de lazer, no trabalho ou nos deslocamentos até o trabalho.

O Estado de Roraima foi apontado como o mais sedentário, com 57,3% da população insuficientemente ativa. Já Minas Gerais aparece como o menos sedentário, com 41%.

No geral, homens são mais ativos que mulheres –27,1% contra 18,4%. Segundo técnicos do IBGE, a diferença pode ser resultado da tripla função exercida pela população feminina, que, cada vez mais, se divide entre o trabalho, afazeres domésticos e cuidados com os filhos, e teria menos tempo para exercícios.

Já o Rio de Janeiro é campeão entre os Estados colados na telinha.  Ao menos 40,4% da população fluminense passa três horas ou mais em frente à televisão por dia. Na sequência aparecem o Sergipe e o Rio Grande do Norte, com 37,9% e 35,5%, respectivamente.

Entre os brasileiros com mais de 18 anos, 15% admitiram fumar ou usar produtos derivados do tabaco. A proporção é maior na área rural que na área urbana – 17,4% contra 14,6% – e três pontos percentuais menor que a registrada há cinco anos pela PNAD 2008 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), único dado possível de ser comparado à PNS, devido à metodologia semelhante.

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Conheça os mitos e verdades sobre o cigarro16 fotos

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Cigarros flavorizados não menos prejudiciais que os tradicionais? MITO: os cigarros com sabor (menta, cravo, canela, cereja, baunilha, etc.) – entre eles o popular gudang garam – são verdadeiras armadilhas. Eles não apenas causam os mesmos prejuízos à saúde que os cigarros comuns, como também são uma porta de entrada para o vício, já que muitas pessoas não gostam do sabor do cigarro comum e acabam usando esse tipo de cigarro para começar a fumar. “Os cigarros mentolados ou flavorizados causam o mesmo malefício, apesar de terem o sabor mais palatável”, aponta a pneumologista Suzana Pimenta, do Hospital 9 de Julho Leia mais Arte UOL

Segundo Maria Lúcia Vieira, gerente da pesquisa, a redução de 18% para 15% no número de usuários de tabaco e derivados pode ser resultado das campanhas anti-tabaco e das proibições recentes de fumar em ambientes públicos.

Desde o dia 3 de dezembro, com a entrada em vigor da Lei Antifumo, de abrangência nacional, é proibido o consumo de cigarros e derivados em ambientes fechados de uso coletivo, como bares, restaurantes, casas noturnas e ambientes de trabalho. A lei 12.546 existe desde 2011, mas só foi regulamentada em agosto, e também proíbe os fumódromos e propagandas de cigarro.

Até então apenas oito Estados aplicavam leis antifumo próprias – São Paulo, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Amazonas, Mato Grosso, Paraíba e Paraná -, sendo que os paulistas foram pioneiros, ao criar a legislação em 2009.

A pesquisa mostra ainda que mais da metade dos fumantes –51,1%– tentaram abandonar o vício nos 12 meses anteriores ao levantamento e que 52,3% pensaram em parar devido às advertências sobre os riscos do tabagismo presentes em maços de cigarro.

Além da tendência ao sedentarismo e do apreço pela televisão e pelo cigarro, o IBGE também mostra um Brasil em que quase um quarto da população consome bebidas alcóolicas regularmente. Ao menos 24% da população adulta disse beber uma vez ou mais por semana, sendo que homens bebem quase três vezes mais que as mulheres – 36,3% contra 13%.

A pesquisa mostra também que 24,3% das pessoas com 18 anos ou mais que dirigem admitiram ter conduzido carro ou motocicleta depois de ingerir bebidas alcoólicas.

Fonte: Uol

Da Retórica política: origens, sentido e atualidade

…a autoridade legislativa, ou suprema, não pode arrogar-se o poder de governar por meio de decretos arbitrários extemporâneos, mas está obrigada a dispensar justiça e a decidir acerca dos direitos dos súbditos por intermédio de leis promulgadas e fixas, e de juízes conhecidos e autorizados. Pois, desde que a lei de natureza não é escrita e que, portanto, não se pode encontrá-la senão no espírito dos homens, não será possível, na ausência de um juiz estabelecido, convencer com facilidade de seu equívoco aqueles que – movidos pela paixão ou interesse – venham a citá-la ou aplicá-la erroneamente.”
J. Locke (1632-1704)

Introduzida na Grécia continental pela mão de Górgias, a partir da Sicília, a Retórica passou, desde então, a ocupar um lugar privilegiado na educação dos jovens.

Os sofistas, combatidos severamente nalguns diálogos platônicos, eram nesse tempo mestres na arte oratória.

A verdade, para Platão, não pode, contudo, ser dissolvida no jogo das palavras. Havia que ligar, ensinava, oethos ao logos.

Trata-se de uma história que remonta ao séc. V. a.C., coincidindo com a formação do espaço público no mundo antigo.

Ágora, Cidadania, Felicidade Pública, eis três conceitos incindíveis.

O Estagirita e autor da Ética a Nicômaco viria, por sua vez, a sistematizar os estudos retóricos, retomados mais tarde, com brilho, por Marco Túlio Cícero (estadista e jurisconsulto romano) em obras clássicas de grande fôlego, entrelaçando a nova disciplina com a estética e a dialética.

O seu embate contra Catilina é também uma aliciante defesa da República.

Na Idade Média, a Retórica entra no currículo universitário como uma das três “artes liberais”, ao lado da Lógica e da Gramática.

É impossível, desde os dias do reflexivo e profundo Aristóteles, separar a Política da Retórica, vista, em termos simples, como a arte de persuadir e de construir o consenso político, com base num saber sólido e seriamente edificado, cientificamente estruturado, posto que não no sentido “positivista” do termo.

A retórica é intrínseca à formação humanística e ao próprio trabalho da inteligência.

Dela não pode prescindir jamais o “homem excelente”, para usarmos uma apropriada expressão de Ortega y Gasset.

O político tem de ser convincente, claro e objetivo e pugnar, ao mesmo tempo, pelo bem comum. Má oratória, mau político.

Hoje ela renasce, pujante, pelo filtro da Semiótica e dos novos estudos da teoria da comunicação e domarketing. (Para uma instrutiva abordagem, verhttp://www.uta.edu/faculty/mputnam/COMS3312/Notes/Ch1.html).

Seria estultícia recusar a sua elevada posição na escala dos valores humanos.

A política, como no-lo mostrou Hannah Arendt, é a rejeição da força e da violência, que são, antes de tudo, substituídas pela persuasão e pela legitimidade.

A política, neste sentido, é o triunfo da racionalidade. A idade da razão.

O ponto indiscutível é justamente este: nas sociedades democráticas o poder constrói-se a partir do discurso, do diálogo autêntico e da habilidade retórico-argumentativa; é um poder simbólico, humanizado.

Daí a importância da “arte da argumentação” e da eloquência em geral.

A retórica é uma componente decisiva da educação política.

Jürgen Habermas fala-nos mesmo de uma “teoria da ação comunicativa” e na busca da legitimação pelo consenso, a partir do reconhecimento dos sujeitos comunicantes e do essencial princípio da igualdade.

A democracia requer, portanto, uma “lei da liberdade”, calcada, é certo, no espírito generoso de emancipação. A política tem uma dimensão axiológica que não pode ser subvertida.

A banalização da Política começa precisamente pela banalização da mensagem política.

É muito triste e desolador quando vemos e ouvimos um “político” confuso, com um raciocínio atabalhoado, incapaz, perante o seu interlocutor, de articular um discurso válido, harmonioso, fecundo e convincente.

A imagem que fica, nestes casos, é a de alguém incompetente, mal preparado, não talhado para o mister. A relevância é fundamental.

Um político sério tem de compreender a natureza da sua arte e conhecer, no mínimo, os segredos e as agruras da sua esfera de ação.

A estratégia política depende em boa medida da retórica. Quer se queira quer não.

No antigo Egito acreditava-se que o poder do faraó era um dom divino, o que lhe conferia faculdades mágicas. Hoje, o poder advém do povo, do consentimento dos governados. Há que conquistá-lo por meios lícitos. Fora disto, estaremos perante uma mera e censurável usurpação, típica das tiranias.

Ler um Chaim Perelman, Wittgenstein ou Umberto Eco é, pois, o melhor investimento para qualquer principiante que queira atingir, com o passar dos anos, um patamar de alguma exigência e credibilidade.

Não se pode saltar etapas. Ganha-se imenso em ouvir também a récita fascinante de J. Huizinga ou em analisar certos discursos políticos, como o “speech” de Gettysburg, pronunciado por Lincoln em 1863.

Aprender, pela mediação de professores autorizados, as ideias de grandes pensadores, como Eric Voegelin, pode ser um exercício gratificante (https://www.youtube.com/watch?v=zxwWtgPEK1Y).

A razão é importante.

Mas o bom político e orador não pode descurar, por outra via, a emoção, que os gregos chamavam pathos. É um aspecto importante.

A paixão cativa os ouvintes; cria uma empatia que facilita sobremaneira a comunicação.

Os grandes estadistas sempre utilizaram esta espécie de “inteligência emocional” (Daniel Goleman), mobilizando, através de um peculiar carisma, milhares de pessoas à volta das suas causas. À sapiência junta-se, assim, um toque de sedução.

A retórica política não se manifesta unicamente através da fala.

O seu meio normal de expressão é o púlpito parlamentar e o palanque dos comícios, mas isto, que é a regra, nem sempre acontece.

Nos dias que correm, nenhum partido político (competitivo) pode ignorar o papel da televisão, da rádio ou mesmo da Internet, com as suas novíssimas “redes sociais”, nesta era do Youtube, da “blogosfera”e da comunicação planetária instantânea.

Pérez Luño, um dos nomes cimeiros da jusfilosofia hispânica, falaria em cibercidadanía ou cidadania.com.

Muitas vezes, a música e a literatura são também utilizadas como poderosos veículos de comunicaçãopolítica.

Norberto Tavares, com a verve única do Santiago profundo, foi neste sentido um exímio comunicador e mobilizador de consciências, despertando os seus compatriotas para as questões de democracia, liberdade e justiça. A arte não é neutra.

Na mesma trilha, embora num contexto político diferente, se situa um Kaká Barbosa, cuja dimokransa, com a sua melodia apelativa, prenhe, aliás, de mordacidade e ironia, é uma crítica à democracia nascente e aos líderes do Movimento para a Democracia, meros representantes, segundo o bardo, de interesses estrangeiros e do, digamos, “capitalismo selvagem”.

No fundo, é a apologia de um modelo econômico autárquico, ao estilo das “sociedades fechadas”.

No Brasil é bem conhecida a ação de Chico Buarque, que tentou deslegitimar a ditadura militar através da música e da poesia revolucionária.

Para Heidegger, a obra de arte desvela, com a centelha pura da sua beleza, a verdade. Revela-nos o Ser.

Mas nem sempre, vale dizer.

A arte pode ser igualmente um fator de manipulação, de alienação, de distorção trágica da realidade.

O regime que os “guerrilheiros” brasileiros queriam implantar, em substituição do statu quo, não era no entanto uma democracia constitucional, mas o comunismo de tipo cubano, o que seria decerto mil vezes pior.

Os trovadores cabo-verdianos fizeram, de resto, a mesmíssima coisa nas vésperas da independência, em 1974/75, atacando o Estado Novo, já moribundo, através dos seus versos e de um cancioneiro forte e politicamente comprometido.

Nem sempre, refira-se, com a lucidez necessária, confundindo, de forma estranha, a conquista da soberania com a liberdade individual. Foi o bonito!

Logo a seguir, foi instalada uma abjecta ditadura, que silenciou os opositores e criou, mediante uma série de leis de excepção, uma polícia política pior do que a antiga PIDE salazarista. Que prendia e torturava sem compaixão.

A pintura e o cinema são outros recursos retóricos, aliás não despiciendos.

A Guernica de Pablo Picasso é um bom exemplo histórico, assim como os famosos filmes de Michael Moore, que, nalguns casos, não passam todavia de propaganda barata e maliciosa contra certos adversários políticos (ver, sobre isso, http://www.olavodecarvalho.org/textos/1a_leitura_2004_ago.htm).

Há, de fato, muitas formas de comunicar e passar mensagens, sendo que muitas vezes, à boa maneira de Maquiavel, os fins acabam por justificar os meios.

Por fim, é de extrema utilidade conhecer o contexto. E dominar algumas técnicas fundamentais.

O PAICV, por ex., nunca abandonou a sua natureza revolucionária, apesar de algum verniz de circunstância.

Os seus dirigentes são todos “camaradas”. É assim que se cumprimentam!

Os velhos hábitos infelizmente não foram superados.

Nenhum deles ousa, de resto, criticar Fidel Castro ou o regime comunista cubano,arcaico e repressivo.

Nunca o fizeram, aliás. São compagnons de route.

Humberto Cardoso, num belo editorial publicado neste jornal (Surreal, 19/11/2014), menciona um facto político curioso. O Governo não conseguiu resolver os problemas básicos do país. E o que faz?

O PAICV, ao mesmo tempo em que promove, usando a máquina do Estado, redes de dependência e assistencialismo, fala insistentemente de “empreendedorismo” e coisas afins (clusters, “transformação”, etc.).

É uma retórica interessante! Não se trata, porém, de nenhuma distração.

O que Humberto parece não perceber é a extrema perversidade disso tudo.

Trata-se de uma técnica de manipulação de consciência. De programação neurolinguística.

É a chamada técnica da estimulação contraditória, a qual visa quebrar a resistência psicológica das pessoas a partir da “injeção” sistemática de um conjunto de absurdos.

O psicólogo russo Ivan Pavlov descobrira, com nitidez, este método de subjugação (verhttp://olavodecarvalho.org/semana/080314dce.html).

O cérebro humano, a partir de um certo ponto, deixa então de oferecer resistência e a criatura transforma-se, sem o querer, num instrumento dócil de obediência e manipulação. Perde o sentido crítico. É uma festa para os “engenheiros sociais”.

A política é o palco de todas as decisões. Entre o Logos e o Mito.

Mas é preciso saber detectar os sinais e a retórica dos signos profundos.

O lobo cobre-se muitas vezes das vestes do cordeiro.

Quem combate um partido de matriz revolucionária tem de conhecer necessariamente o seu modus operandi.

É um conselho de prudência.

Fonte: MsM