“Sniper Americano”: contra um mundo que se satisfaz em não ter convicções!

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O novo filme de Clint Eastwood começa com o sermão de um pastor sobre o apóstolo Paulo. O que Paulo ensinava e fazia, explica o ministro, era motivo de escândalo para a maioria dos seus contemporâneos. Mas Paulo tinha dentro de si a convicção de estar fazendo a coisa certa.

Chris Kyle está no culto com sua família. Ele ainda é uma criança, mas ouve atento o pastor explicar que somos incapazes de decifrar o padrão de Deus nos eventos que ocorrem na nossa vida. Só podemos considerar real e verdadeiro o que podemos enxergar?

Não se engane pelo cenário da história ou seu contexto histórico. American Sniper não é sobre a Guerra do Iraque – nem contra e nem a favor – ou sobre qualquer aspecto da vida militar.

O drama de Clint Eastwood é sobre os dilemas morais enfrentados por homens de convicção em um mundo no qual a defesa de qualquer princípio – por mais óbvio que seja – é vista como uma atitude fundamentalista. A convicção é uma anomalia. O mundo jaz do relativismo.

Se você quiser defender uma visão moral, prepare-se para enfrentar dilemas terríveis. Se você quiser se sacrificar por algo maior, prepare-se para a solidão. Sim, solidão: ao dizer que está disposto a morrer pelo seu país, Kyle ouve da futura esposa: “você é um egocêntrico!”.

Chris Kyle é filho de um diácono e de uma professora de escola bíblica dominical. Desde cedo ele aprendeu que a defesa dos princípios básicos de certo e errado o colocaria em conflito com a maioria que há muito abandonou o “preto-no-branco” por mil tons de cinza.

Ainda menino, Kyle intervém em uma briga para defender seu irmão mais novo de um típico valentão. Ao ver seu irmão apanhando, ele não tem dúvidas: soca o garoto maior até lhe tirar sangue. Ao invés de lhe repreender, o seu pai lhe explica que as pessoas são divididas em três grupos: ovelhas, predadores e cães pastores que protegem as ovelhas “do Mal”.

“Algumas pessoas preferem acreditar que o Mal não existe. Mas se algum dia ele aparecer na sua porta, não saberão como se proteger. Essas são as ovelhas. E então existem os predadores. Eu e sua mãe não estamos criando ovelhas ou predadores”, adverte o diácono.

Kyle cresce como um típico jovem dos nossos dias. É um beberrão e mulherengo. Mas ele enxerga o que os outros não enxergam. Em certo dia, o noticiário que para seu irmão é entediante, para Chris Kyle é perturbador. E, como Saulo, ele caí do cavalo.

Como a luz do dia
As escolhas daquele que se tornaria o atirador de elite mais letal da história militar dos Estados Unidos são pautadas por um antiquado senso de moralidade. Não há espaço para o cinismo ou a meia-verdade no horizonte de Chris Kyle. Ele enxerga o Mal tão claro como a luz do dia. É essa característica singular que irá definir o seu destino para sempre.

Quando poderia se arriscar menos, Kyle desce às profundezas do labirinto infernal de Ramadi para ensinar soldados novatos sobreviverem um dia a mais. Quando sua esposa grávida pede que ele fique em casa, Chris Kyle volta ao Iraque para proteger seus amigos.

Em pouco tempo a insurgência iraquiana apelida Kyle de “o Diabo de Ramadi”- em referência a uma das cidades em que combateu – e coloca a sua cabeça a prêmio. Ele é temido por sua eficiência em matar. 160 mortes “oficiais”: tudo indica que o número seja maior (255).

O maior mérito de Chris Kyle, contudo, não reside no número de inimigos que ele abateu. Mas na quantidade de garotos que ele salvou com sua mira certeira. O filme faz um sutil e brilhante paralelo entre a visão moral distinta e a pontaria acima da média de Kyle.

Além do inimigo que espreita em cada janela e porta, o jovem texano é obrigado a enfrentar as dúvidas crescentes e o medo paralisante dos seus colegas de farda.

O agnóstico Eastwood fala no filme por meio de um jovem soldado que quase foi padre e é assaltado pela dúvida: Será que eles fazem a coisa certa? E será que vale a pena?

“O Mal existe. Nós já o vimos por aqui”, responde, serenamente, Chris Kyle. Eastwood mostra que o sniper mais admirado e temido da história dos EUA permaneceu até o fim com as convicções simples de um menino dedicado a proteger os inocentes dos bandidos.

A virtude em ação
Há muitos sub-dramas terríveis contidos nas decisões de Kyle, mas não vou abordá-los para que o leitor assista ao filme e possa se surpreender com cada dilema que surge na história.

Ao contrário do que se poderia imaginar, Eastwood não manifesta aprovação diante da moralidade “preto-no-branco” de Chris Kyle. Diante disso ele é novamente agnóstico.

Mas o velho mestre americano não deixa de mostrar que são de homens como Kyle que a sociedade precisa nos momentos mais tenebrosos, quando os lobos aparecem e recuamos como ovelhas confusas e apavoradas. Sem visão moral, sem senso de direção.

Hoje em dia os homens estão mais preocupados em ser queridos por todos e não conseguem defender qualquer princípio por mais de 5 minutos. Eles não acreditam mais em certo e errado. São cínicos. Para os quais “honra” e “sacrifico” são como peças de museu.

São bem poucos os que ainda enxergam o mundo como o apóstolo Paulo e Chris Kyle enxergavam. Mas todos admiram, mesmo que secretamente, pessoas que recusam o cinismo predominante e brindam os seus próximos com uma amostra do que é a virtude em ação. Clint Eastwood faz um elogio desses homens ilustres. Assista American Sniper.

Fonte: MsM

Teologia Agostiniana: breve exposição das principais contribuições teológicos de Agostinho de Hipona

Publicado originalmente em FATOS EM FOCO:

A cidade de Annaba (Argélia), antigamente conhecida por Hipona, cidade natal de Sto. Agostinho.

Por Vinícius Couto

Adaptado por Artur Eduardo

Aurélio Agostinho era natural de Tagaste (atual Souk-Ahras na Argélia). Ele é também chamado de Santo Agostinho, Agostinho de Hipona ou somente Agostinho. Foi uma das mentes mais brilhantes da teologia cristã ocidental. Foi bispo em Hipona (atual Annaba na Argélia), além de escritor, teólogo, filósofo e um grande expositor da Bíblia Sagrada.

Sua influência teológica supera as barreiras eclesiológicas e se estende aos protestantes em geral. Seus escritos contribuíram muito para a formação doutrinária dos reformadores Lutero e Calvino. Escreveu centenas de cartas e sermões, além de 113 obras. Seu entendimento sobre a graça é tão profundo que chegou a ser chamado de “Doutor da Graça” e é considerado um dos pais da Reforma Protestante por sua contribuição literária em temas sobre a graça e a salvação.

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O meio pelo fim

passaro preto

Toda criatura é hierárquica. Diante de minha janela cresce uma árvore, que como qualquer outro ser vivo, tem uma constituição fortemente hierárquica: um tronco grosso cravado no chão pelas raízes, com galhos proporcionalmente mais finos, dos quais saem galhinhos ainda mais finos, que por sua vez dão folhas, com o formato definido pelas nervuras, que desenham uma árvore miniaturizada…

Num galho desta árvore, pousa um pássaro. Seu corpo rechonchudo – na verdade musculoso! – apresenta asas que se afinam para as bordas, e pezinhos com unhas na ponta garantem que ele se segure no galho. Ele, como a árvore onde pousou, tem uma estrutura corpórea hierárquica.

O contato com o mundo é feito sempre pelos menores elementos da hierarquia – a folha da árvore, a ponta da pena do pássaro –, que transmitem hierarquia acima algo do que discerniram ou captaram, para o bem de todo o organismo. É assim que funciona uma hierarquia natural e orgânica.

No nosso corpo, que nos é mais familiar, quando sentimos na pele o vento frio ocorre imediatamente um fenômeno de defesa local (arrepio), seguido por uma defesa vinda de uma instância hierárquica mais alta (cruzar os braços), enquanto decidimos na mais alta das instâncias envolvidas, a intelectual, se vestiremos um casaco ou iremos para um lugar mais aquecido. Do mesmo modo, ao caminharmos descalços, nossos dedos do pé percebem as irregularidades do solo e encaminham ao cérebro as informações, com as articulações da perna respondendo, em harmonia com os braços e a própria coluna vertebral, de modo a preservarmos esta espantosa condição humana da locomoção ereta. Cada célula do corpo, incluindo a imensidão de células que não partilham o mesmo código genético (fauna e flora intestinais, etc.), trabalha em conjunto, dentro da mesma lógica, com uma feliz combinação de ação de iniciativa própria, ação inconsciente do cérebro e ação consciente do ser humano.

Esta combinação é o que faz a saúde. Um corpo em que cada célula operasse individualmente, sem harmonia com as demais, seria na verdade um cadáver em decomposição, não um organismo. Um organismo em que tudo ocorresse por ação inconsciente do cérebro teria um metabolismo tão espantosamente lento que não seria capaz de alimentar-se e sobreviver. Um organismo em que tudo fosse consciente seria o paroxismo do mesmo problema. Podemos perceber isto claramente na nossa respiração, por exemplo: se não prestarmos atenção nela, temos uma ação inconsciente. Quando começamos a prestar atenção na respiração, precisamos de um certo tempo até conseguirmos fazê-la voltar ao automático, e a consciência da velocidade das inspirações e expirações chega a atrapalhar os demais processos mentais. E se houvéssemos ganhado consciência não apenas das inspirações e expirações, mas de cada ação de cada fibra de cada músculo que usamos para inspirar e expirar? De cada troca de oxigênio por gás carbônico em cada alvéolo do pulmão? O simples ato de respirar consumiria mais capacidade intelectiva que o mais árduo estudo!

O mesmo ocorre com a sociedade.

Toda sociedade ordenada é hierárquica, com uma hierarquia orgânica extremamente semelhante às hierarquias em que se organiza a vida das criaturas. É possível, contudo, tentar instaurar uma sociedade não-orgânica, em que a hierarquia natural é substituída por uma falsa hierarquia ou por um falso igualitarismo. O sucesso do empreendimento, contudo, é paradoxalmente correspondente ao seu próprio fracasso: uma sociedade artificial só sobrevive enquanto existirem dentro dela os elementos que ela mesma tenta combater, por não perceber que são eles que possibilitam sua sobrevivência.

Para tomarmos um exemplo drástico, podemos perceber facilmente como a ação dos mercados negros nos países comunistas evitam a morte das multidões que não conseguiriam de outra forma obter alimentos. Num país comunista, as trocas (com ou sem intermediação monetária) entre as pessoas são proibidas; todo produto deve, obrigatoriamente, ser encaminhado pelo Estado de quem o produz para quem dele necessita. Diz o adágio marxista: “de cada um de acordo com sua capacidade; para cada um de acordo com sua necessidade”.

Na prática, contudo, o que isto faz é impedir que se possa saber quanto vale cada produto, logo quanto dele seria necessário produzir. Cria-se, assim, uma situação de caos completo no abastecimento. Podemos ver um exemplo claríssimo deste mecanismo em ação na patética tentativa de implantação do comunismo na Venezuela, onde quando o papel higiênico – previsivelmente – desapareceu dos mercados, o Estado ocupou militarmente as fábricas(!).

A própria falta de um produto, contudo, faz com que seu valor real de mercado aumente proporcionalmente. Assim, passa a valer a pena dedicar-se à venda daquele produto no mercado negro. Ninguém se interessa por vender papel higiênico ilegalmente no Brasil, por se tratar de um produto barato e de farta oferta. Quando, contudo, o Estado brasileiro aumenta tresloucadamente os impostos sobre o tabaco, passa a valer a pena trazer ilegalmente cigarros dos países vizinhos, criando-se um mercado negro que garante o abastecimento a preços menos absurdos.

O mesmo mecanismo agiu e age ainda nos países comunistas para evitar a fome generalizada, com um ativíssimo mercado negro de alimentos e demais bens necessários à sobrevivência.

Este mercado é orgânico. Poderíamos compará-lo à seiva que ainda circula na madeira de uma árvore cortada, que faz com que por vezes uma folha brote inesperadamente de uma tábua já aparelhada.

Em uma árvore sadia, a circulação de seiva é o mecanismo de leva-e-traz que permite a sobrevivência do organismo. É o meio pelo qual a árvore leva às folhas os nutrientes arrancados do chão pelas raízes e leva a todo o resto do organismo o que as folhas tenham produzido por fotossíntese. É um meio de comunicação indispensável entre as partes fixas, produtivas, do organismo. Estas partes são, muitas vezes, só o que vemos: o tronco, as raízes, as folhas – vivas pela ação da seiva ou secas quando, no tempo frio, a seiva não chega à elas. A seiva está lá e é necessária, mas dificilmente entraria num desenho esquemático da árvore, a não ser que estivéssemos desenhando alguma árvore cuja seiva extraímos, como a seringueira. Normalmente, a circulação da seiva é na prática ignorada.

E aqui voltamos ao início deste texto, quando dissemos que um corpo em que cada célula operasse individualmente, sem harmonia com as demais, seria um cadáver em decomposição. A borracha – seiva – extraída de uma seringueira não deixa de ser o cadáver de uma parte da seringueira. Naquela borracha não há vida, porque as células não têm um princípio de organização, um objetivo; falta-lhes o que em filosofia chamamos de “alma”, ou “forma”. Cada célula, a princípio, está viva, pronta para exercer sua função de levar e trazer nutrientes e excreções seringueira afora. Logo, contudo, elas perdem até mesmo esta capacidade, tornando-se mortíssima borracha, boa para fazer pneus e solas de sapato e absolutamente inútil para alimentar folhinhas de seringueira.

A tentativa capitalista (ou liberal, como preferirem) de fazer do mercado o princípio civilizatório é, de uma certa forma, uma tentativa de construir uma seringueira de borracha: toma-se o meio pelo fim, a seiva pela árvore, a moção pela vida. É o engano diametralmente oposto ao do comunismo; enquanto este tenta fazer com que cada ação microscópica do corpo que é a sociedade seja uma ação consciente, aquele nega que haja um corpo. Confunde-se, e vê no fervilhar dos vermes no cadáver prova suficiente de vida da sociedade.

Isto decorre do que já foi discernido por Max Weber pouco mais de cem anos atrás: a mentalidade individualista, decorrente da negação protestante da salvação como participação na Comunhão dos Santos. Ao substituir a participação na Comunhão dos Santos da teologia cristã clássica por uma relação individual e pessoal de cada protestante com a Divindade, criou-se uma mentalidade que nega a própria existência da comunidade senão como aglomeração quantitativa de indivíduos.

A ideologia capitalista, assim, nega a existência objetiva e a necessidade desta ordem maior, considerando-a apenas um subproduto das interações contratuais individuais de cada célula do corpo social. Há nisso dois problemas gravíssimos de percepção da realidade.

O primeiro deles é a redução do ser humano à sua dimensão imanente, ao menos para todo efeito prático. O homem – exatamente como no erro oposto, o coletivismo comunista – torna-se nada mais que um homo oeconomicus, uma espécie de maquininha em que a comida entra por uma ponta e os excrementos saem pela outra, necessitada apenas de bens materiais para alcançar a mais plena felicidade. Afinal, o mercado serve justamente para assegurar a circulação destes bens materiais necessários à sobrevivência humana; ele é realmente livre enquanto a sociedade como um todo dá-lhe os veios por onde correr, como as paredes celulares da árvore contém a seiva e assim possibilitam que ela se mova e vá onde é necessária.

Se o mercado é tomado por sinônimo da sociedade (exatamente como o Estado é tomado por sinônimo do “Povo” no comunismo, aliás), o objetivo dela passa a ser a mera produção e distribuição de bens de consumo. Toda a vida do espírito passa a ser uma mera questão de gosto; os escritos de Aristóteles, Cícero ou Santo Agostinho disputam mercado com o requebrar da peladona do momento, e quem quer um ou outro o compra. Mozart e Miley Cyrus competem em pé de igualdade. E no fim ela ganha.

O segundo problema de percepção da realidade é que – exatamente como nos regimes comunistas o mercado permanece presente em forma clandestina – a sociedade capitalista depende, para sua subsistência, da presença de uma ordem interna que ela mesma não reconhece. Esta ordem, multiforme e hierárquica, consiste de uma ordenação no mais das vezes inconsciente do imanente ao transcendente, pela adoção de códigos de conduta pré-capitalistas. Em outras palavras: a negação individualista de toda e qualquer ordenação social que não por relações contratuais esconde a persistência de uma ordenação não-contratual. O amor dos casais e dos filhos, por exemplo, não é contratual; ainda que ele seja refletido num contrato de casamento, o contrato e o fato são coisas distintas.

Do mesmo modo, a adesão social a determinados princípios herdados das sociedades pré-modernas anteriores – ainda que ocorrendo de maneira desordenada e arbitrária – garantem a sua sobrevivência por algum tempo, ao evitar temporariamente que a substituição do transcendente pelo imanente leve à mais horrenda escravidão ao sensível. A venda de revistas pornográficas ginecológicas nos primórdios das sociedades capitalistas, por exemplo, seria certamente unanimemente considerada criminosa. Já hoje, para horror dos descendentes de Adam Smith, ela é percebida como exercício da liberdade de mercado.

Ora, isto não é liberdade! A liberdade do mercado – que é um meio – depende, na verdade, de sua inserção em uma sociedade ordenada, onde ele possa operar o que lhe compete da melhor maneira. Ao negar-lhe a inserção orgânica que lhe é de direito, o mercado perde totalmente sua liberdade no senso mais estrito. Daí a proliferação de sucedâneos (em última instância anômicos) de inserção orgânica no discurso liberal: alguns vão dizer que os limites do mercado estão na agressão sem causa, outros na escravidão, sempre com algum outro a negar, dentro da mesma lógica capitalista, este ou aquele pseudo-limite. Afinal, sem esta inserção não há, no fim das contas, nada que impeça racionalmente a extração industrial de fetos para a produção de cremes, a escravidão por dívidas, o uso de pés-rapados como cobaias em experiências científicas, etc.; o que acaba ocorrendo é simplesmente a ereção como limite daquilo que fere os valores pré-capitalistas que o ideólogo em questão tenha ainda mantido como preconceitos irracionais e irrefletidos. Se o sujeito se choca com a escravidão, vê-a como negação da liberdade capitalista de escolha; se não se choca, vê-a como exercício desta mesma liberdade. E por aí vai.

O que poderia ordenar estes juízos de valor é infelizmente negado liminarmente, ainda que persista de forma irrefletida. E é na negação liminar da ordem orgânica que se unem os dois problemas que apontamos acima: por tratar o homem como mero homo oeconomicus, a sociedade capitalista vê-se incapaz de perceber tanto a sua dimensão espiritual, que necessariamente só pode florescer quando visa o transcendente que ela desconsidera, quanto as tentações que o escravizam à carne. O que está acima ou abaixo do mero meio que é o mercado não pode ser percebido por quem se recusa a perceber que ele não é um princípio civilizatório, que é incapaz de fazer de um corpo um organismo. Vermes não são um sinal de vida do cadáver.

Ao mesmo tempo, por não perceber que sua própria sobrevivência depende da manutenção desta série de formas ordenadas que herdou como preconceitos irracionais, sem defesa possível, a sociedade capitalista tende a desprezá-las, levando-as a ser substituídas por sucedâneos anômicos que apressam a dissolução social. Quando estes sucedâneos orientam-se às tentações escravizantes do indivíduo, então, a desordem só pode aumentar.

As tentações mais comuns são as mesmas que em qualquer outra sociedade; a natureza humana, afinal, não muda. O problema da sociedade capitalista é que nela, por se erigir a ganância – motor do mercado – a princípio civilizatório, o “atendimento à demanda” destas tentações é premiado, por ser um sucesso de mercado, e não é coibido a não ser pelos mecanismos herdados irracionalmente de sociedades pré-modernas anteriores. O resultado é facilmente previsível: uma sociedade de obesos mórbidos, masturbadores compulsivos impotentes e estéreis, plenamente convencidos de sua superioridade moral e intelectual em relação a qualquer outra sociedade, agressivos e, fundamentalmente, dedicados apenas àquilo que, no individualismo capitalista, passa por sucesso: o “consumo”.

Quando acusada, contudo, a ideologia capitalista procura abrigar-se no mesmo engano que repudia quando empregado pelos comunistas, que chamam de capitalismo tudo o que não é comunismo: a confusão entre capitalismo e mercado.

Ora, como vimos acima, o mercado é um meio. Em uma sociedade ordenada, ele nada mais faz que atender às demandas da ordem hierárquica orgânica que a orienta. Se, contudo, ele é erigido em princípio civilizatório, como ocorre na ideologia capitalista, de meio de manutenção da ordem social ele passa a meio de destruição. O que pode ter tido alguma eficiência em outros tempos, quando era mais forte a sobrevivência – ainda que em forma de preconceito irracional – de valores que mantinham uma certa hierarquia orgânica na sociedade, passa a agir com sinal contrário assim que ganha domínio suficiente.

Em outras palavras, assim como o comunismo poderia ser alegorizado como a substituição de uma árvore por uma folha de compensado, o capitalismo poderia sê-lo como a extração total da seiva de uma seringueira: ao ver a borracha crua espalhando-se pelo chão, gritam animados seus defensores: “quanta vivacidade, quanta velocidade!”, sem perceber que o que assistem é apenas o esvair-se da vida.

Fonte: Revista Vila Nova

O lado oculto da lua

Blefe: 1. Mostrar falsamente confiança ou agressividade para enganar ou intimidar alguém. 2. Mostrar agressivamente os dentes como meio de intimidar outro animal.
- The Free Dictionary

Chantagem nuclear é uma modalidade de estratégia nuclear em que um agressor usa a ameaça do uso de armas nucleares para forçar um adversário a tomar alguma atitude ou fazer algumas concessões. É um tipo de extorsão.
- Wikipédia

Durante a Conferência de Segurança de Munique na sexta-feira, o ministro da Defesa da Grã-Bretanha, Michael Fallon, falou à Reuters sobre um triplo problema. Primeiro ele disse que os russos “podem ter baixado o limiar [de tolerância]” para o uso de armas nucleares. Em segundo lugar, disse que os russos estão “integrando forças convencionais e nucleares de maneira bastante ameaçadora…”. E em terceiro, “em tempo de pressão fiscal eles continuam a gastar na modernização das forças nucleares”. (v. a matéria em inglês UKb concerned over ‘threatening’ Russian nuclear strategy.)

A manchete do Guardian na sexta-feira mostrou uma imagem do presidente russo Vladimir Putin com a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente François Hollande da França. A manchete é “Temor a Vladimir Putin nas capitais da UE diante do fantasma da‘guerra total’”, que inclui um perturbador comentário de um diplomata da UE em Bruxelas dizendo que armar a Ucrânia pode significar o desencadeamento de uma guerra com a Rússia, e a Rússia está fadada a ganhar a guerra.

Eis nosso destino: viajamos uma longa estrada acreditando nas mentiras russas, e agora chegamos. Ajudamos os russos a atingir um novo patamar de supremacia. Ajudamos eles a dar todos os passos para esse caminho. Acreditamos na perestroika e na glasnost. Lisonjeamo-nos ao alegar vitória na Guerra Fria. Mordemos a isca do 11 de setembro e caímos no ataque diversionista dos islâmicos e aqui estamos: incapazes de se opor à Rússia e (como logo veremos) aos chineses. Acerca desse assunto o desertor Anatoliy Golitsyn já nos alertou em 1984 com o livro New Lies for Old [As novas mentiras pelas velhas]:

A estratégia da tesoura daria lugar à estratégia “de um só punho fechado”. Nesse ponto, a mudança na balança político-militar seria evidente para todos. A convergência não se daria entre dois lados iguais, mas conforme os termos ditados pelo bloco comunista. O argumento a favor da acomodação com a força esmagadora e irresistível do comunismo, tornar-se-ia virtualmente irrespondível. Cresceriam as pressões por mudanças no sistema político e econômico americano… Conservadores tradicionais seriam isolados e levados ao extremismo. Eles podem se tornar as vítimas de um novo “macartismo” de esquerda.

T.S. Elliot outrora escreveu sobre a União Soviética em um prefácio para um livro anonimamente escrito cujo título é O lado oculto da lua. O livro é sobre a Polônia oriental sob ocupação soviética após 17 de setembro de 1939. Os invasores russos sujeitaram os civis poloneses a deportações e execuções em massa e confisco de propriedades. Tudo isso esteve escondido sob a face mais visível que era Adolf Hitler, cuja invasão à Polônia no dia 1 de setembro de 1939 havia tido maior repercussão. Da mesma maneira, terroristas árabes começaram uma guerra mais famosa no dia 11/09/2001. Após esse fato, deixamos totalmente de estar a par de quê a Rússia estava fazendo. De novo foi um caso de “o lado oculto da lua”.

É interessante agora ver como a história se repete (e por que ela não deveria se repetir?). Especialmente se tratando de estratégias que podem ser usadas de novo e de novo, sem que ninguém perceba. Fomos manipulados em 1939-45 e fomos manipulados no período 2001-2014. Evidentemente isso não significa que Hitler ou bin Laden fossem os mocinhos. Apenas nos permitimos gastar todas nossas energias em combater o inimigo menor e perdemos totalmente a noção de quem é o inimigo maior. Pior: esse inimigo maior manipulou-nos de maneiras que são vergonhosas demais para se permitir. De novo fizemos vistas grossas para os preparativos russos que visavam tomar a Europa; isto é, preparativos para tomar vantagem total da nossa distração.

Dezenas de milhares de russos protestaram em Moscou  contra a guerra na Ucrânia e contra as mentiras de Putin

Dezenas de milhares de cidadãos russos protestando contra Putin e seus planos de invasão à Ucrânia: isto a mídia ocidental não mostrou!

Ano passado Moscou tomou uma parte da Criméia ucraniana. Hoje a batalha se intensifica pelo controle do leste e do sul da Ucrânia. Enquanto as tropas da OTAN chegam de maneira cautelosa em relação à Rússia, há preocupações de que não tenhamos forças suficientes, especialmente se os russos resolverem usar suas armas nucleares táticas. Essas pequenas (porém poderosas) armas mudam qualquer cenário de combate. Uma força convencional sem artilharia nuclear tática não pode com uma força que possui tal artilharia. Esse é um fato que o Ministro da Defesa da Grã-Bretanha observou e que o obrigou a acalmar o empenho dos líderes europeus [em combater os russos].

Enquanto isso na Rússia, propagandas antiamericanas e anti-OTAN seguem um padrão pré-guerra que visa “preparar a opinião pública” para a guerra. Culpam os americanos pela luta em Donbas. Culpam os americanos de tentarem destruir a Rússia. No final das contas, foram as maquinações americanas que derrubaram o presidente legalmente eleito Victor Yanukovych [segundo propagandas]. A ideia tomou tal popularidade, que até mesmo o famoso George Freeman da STRATFOR disse que a derrubada de Yanukovych foi o “mais flagrante golpe da história”. George, pelo visto, jamais entendeu os eventos da ex-União Soviética, tampouco ele entende a situação de Washington. Pergunte a si mesmo honestamente: Obama é um imperialista determinado a destruir a Rússia?

Dificilmente pode-se pensar na ideia de Obama conseguindo fazer algo como derrubar um governo estrangeiro. Isso é risível quando nos damos conta que o número de agentes russos na Ucrânia deve estar na casa dos milhares. E o que a CIA tem na Ucrânia? Talvez eles tenham uns cinquenta agentes, ou talvez uns 200 se você contar os falsos agentes-duplos russos. Por favor, não sejamos tão ignorantes ao ponto de nos equivocar acerca da natureza da realidade ucraniana pós-soviética e o quanto a CIA deve estar em desvantagem em todo o território “outrora” soviético.

Quando observamos o comportamento atual da dita “junta” de Kiev, vemos que eles, não obstante, agem de maneira que corriqueiramente beneficia a Rússia e não a Ucrânia — e menos ainda os Estados Unidos. Com efeito, pode-se pegar uma publicação como a Veterans for Peace e constatar que os perversos vilãos corporativos da Monsanto estão tomando a área rural de cultivo da Ucrânia (ou algo do tipo). Pode-se até basear sua análise — como fez Eugene Chausovsky na STRATFOR — na opinião ‘especializada’ de três mecânicos de etnia russa que conheceu numa viagem à noite de trem de Sevastopol para Kiev. “Eles consideraram terroristas os manifestantes acampados na praça central de Kiev […] completamente organizados e financiados pelos Estados Unidos e pela União Europeia” disse Chausovsky.

E o que devemos dizer da garota ucraniana que, um ano atrás, clamou por ajuda para libertar seu país? “Quero que você saiba porque, disse ela,milhares de pessoas por todo meu país estão nas ruas. Há apenas um motivo. Queremos nos livrar da ditadura… Somos pessoas civilizadas… não uma União Soviética. Queremos que nossas cortes não sejam corruptas. Queremos ser livres.”

Isso é tão difícil de acreditar?

“Sei que amanhã talvez não tenhamos telefone ou internet, e assim ficaremos sozinhos aqui, explicou a garota ucraniana. E talvez policiais nos assassinem aos montes quando estiver escuro. É por isso que eu peço que nos ajudem agora. Temos essa liberdade no coração… Você pode nos ajudar compartilhando isso com seus amigos… Mostre que você nos apoia.”

Evidentemente há muitos ucranianos do leste e do sul que não compartilham de tais sentimentos. No leste da Ucrânia as mentiras russas foram aceitas por medo do desconhecido e de um deturpado orgulho étnico. Obviamente os estrategistas russos não estão de folga na Ucrânia. Os agentes de Moscou têm estado muito ocupado descreditando aqueles que querem verdadeira liberdade. Ao chamar os manifestantes de Kiev de “nazis” e dizendo que o objetivo deles era matar os de etnia russa, constatamos a desonestidade do “outro” lado. Precisa-se apenas de um momento de reflexão para perceber que não há como existir um movimento na Ucrânia que vise matar pessoas de etnia russa. Na verdade, a diferença entre ucranianos e russos é tão desprezível que tal campanha seria impraticável, senão risível.

A América estava enviando bilhões para ajudar os ucranianos a ganharem sua liberdade? Pode até ser verdade, embora a origem do dinheiro do Ocidente não seja invariavelmente os ‘perversos malfeitores’ da CIA. Muitos no Ocidente preferem uma economia ucraniana livre dos grilhões pós-soviéticos. Muitos querem ver verdadeira liberdade em todos os países do mundo. Contudo, encontramos esse entusiasmo na Casa Branca de Obama? Na verdade, podemos duvidar que a Casa Branca queira qualquer problema com a Rússia. Obama não odeia a Rússia. Ele não faz uma pressão por um enorme rearmamento. Ele nunca foi particularmente resiliente na causa da liberdade dos povos russo e ucraniano. A CIA também não teve um retrospecto positivo operando nessa parte do mundo. Seja quanto for que os milionários deram ou sejam quais forem os conselhos que os diplomatas deram para a Euromaidan, foi tudo de coração (i.e., daqueles que quiseram algo de bom para o povo ucraniano). Entretanto, podemos admitir que essas pessoas generosas nunca entenderam a verdadeira situação na Ucrânia, pois eles provavelmente não entenderam que Moscou sempre viu como ficção uma Ucrânia “independente”. Como explicou David Remnick, “Na cabeça de Putin, a Ucrânia não é uma nação…”, ou como disse Putin a Bush, “Você tem de entender, George. A Ucrânia sequer é um país”.

Esse é um ponto de vista que encontramos até mesmo na obra de Aleksandr Solzehnitsyn. Por outro lado, se você perguntar a um ucraniano do oeste, receberá uma resposta completamente diferente, pois dinheiro nenhum pode comprar essa resposta. Nenhum círculo de conspiradores em Langley ou no porão da Casa Branca poderia evocar essa resposta nas ruas de Kiev. Com efeito, esse movimento foi orgânico na Ucrânia. Não é um produto do dinheiro americano, mesmo que ele tenha sido usado. Declarar que o sentimento ucraniano tem algo de mercenário é mais que ignorância; envolve um cinismo cego e uma prontidão a acreditar nas novas mentiras russas. Peço que o leitor lembre que a América é signatária do Memorando de Budapeste e, portanto, está obrigada a defender a independência nacional da Ucrânia.

Considere também o rotineiro suborno dos oficiais ucranianos pela Gazprom e pelas velhas estruturas da KGB. Quantos milhões foram gastos para comprar políticos em Kiev? Quanto veneno foi usado para destruir aqueles políticos que se recusaram a receber suborno? Em relação a esse assunto: foram os americanos que derrubaram Yanukovych ou foi o Kremlin que derrubou e sequestrou-o porque ele não era o poodle que os russos imaginaram ser? Coloquemos as coisas no devido lugar. Fiquemos de olho em Julia Tymoshenko e seus cúmplices (cujos rastros levam à Gazprom). Dificilmente seria justo dizer, em última análise, que a revolta na Ucrânia foi o resultado de interferência americana. Foi o resultado de décadas de confusão provocada pelos agentes secretos russos e pelas estruturas secretas soviéticas, além de décadas de economia controlada e capitalismo de compadres.

Para se adquirir verdadeiro conhecimento da situação na Ucrânia, é necessário primeiro conhecer algo da história russa e algo da Chechênia (e sobre os primeiros eventos acontecidos na Iugoslávia). A dissolução de um país e a divisão do seu território em dois ou mais campos hostis é uma velha técnica que vem bem a calhar [para alguns]. Os britânicos usaram para governar a Índia. Os russos agora empregam o método para vencer a Ucrânia. Mas não se trata de um simples jogo de “dividir e conquistar”. É muito mais complexo e envolve outros jogos de regiões distantes da Terra. A questão trata-se também de dividir a Europa — especialmente dividir a OTAN. Deixe que tremam alemães, franceses e italianos perante o que a Rússia está preparando. Deixe que eles rompam com os americanos. Deixem que eles tracem o próprio caminho e façam seus próprios acordos. [É disso que se trata.]

Então veja e aprenda no que consiste estratégia. Ela não é simples ou óbvia no começo. Só no fim do jogo que as primeiras jogadas são entendidas. Também é importante que se olhe para outros países do mapa, como a Síria.

Da Ucrânia para a Síria
Marius Laurinavicius é analista sênior no Eastern Europe Studies Center em Vilnius, Lituânia, e sua obra merece atenção especial. No último mês ele escreveu um artigo intitulado “A Rússia de Putin: Vestígios da KGB, FSB e GRU levam ao Estado Islâmico?”. Nele são estabelecidos fatos suspeitos sobre o movimento de ressurgimento wahhabista (islâmico) na União Soviética. O autor nos provê com insights importantes sobre a relação entre Estado Islâmico (EI) e KGB/GRU, incluindo seus objetivos estratégicos; constata-se então que o movimento é uma criação da KGB, modelada nos falsos movimentos anticomunistas de outros tempos e lugares. Assim como na Operação Trust dos anos 1920, os anos 1970 (até os anos 1990) viram a criação de organizações de fachada antissoviéticas controladas pela própria KGB. Elas iam desde a Carta 77 na Tchecoslováquia até o Partido Liberal Democrático da Rússia criado por Vladimir Zhirinovsky.

Criar falsos movimentos de oposição na Rússia é uma jogada antiga. É de se esperar que Moscou criaria um ou mais fronts islâmicos controlados pela KGB. Esses fronts mostraram-se especialmente úteis a Moscou, especialmente se tratando do álibi checheno em 1999 e na situação da Síria atual.

De acordo com Laurinavicius, o EI é parte do plano moscovita. Ele cita detalhadamente uma entrevista feita em 4 de junho de 2013 com Akhmed Khalidovich Zakayev, ex-Primeiro Ministro checheno. Nessa entrevista ficamos sabendo de líderes islâmicos voltando à vida (Dokka Umarov), agentes duplos e complexas provocações. Também ficamos sabendo de islâmicos controlados pela KGB aparecendo na Síria sob a bandeira do Estado Islâmico. Alguém pode perguntar o que isso significa; Zakayev coloca a estratégia de Moscou em perspectiva com a seguinte pergunta: “Você pode imaginar em que posição os líderes ocidentais que tomaram a decisão de suspender o embargo de armas à oposição de Assad ficarão?” Subitamente, terroristas piores ainda aparecem na Síria minando efetivamente a oposição ocidental ao regime de Assad (que por sua vez é controlado pela Rússia).

O entrevistador de Zakayev, supondo que isso fosse uma paranóica teoria da conspiração, perguntou incredulamente se Dokka Umarov estava realmente conectado com os serviços especiais russos. Zakayev respondeu: “Dissemos isso tantas vezes. Em 2007, Umarov declarou guerra à América, Grã-Bretanha e Israel. Antes dessa afirmação Dokka estava sob custódia dos serviços especiais russos, porém foi solto por algum milagre… Umarov está totalmente sob comando dos serviços russos.”

Como explica Laurinavicius em seu artigo, Umarov não emergiu como o aparente líder do EI na Síria. Omar al-Shishani (também conhecido por Tarkhan Batirashvili) era o homem da vez, embora al-Shishani admita que ele tenha vindo à Síria sob ordens de Umarov. Laurinavicius também mostra os antecedentes de Shishani. O homem não era um mero soldado da Georgia que estava combatendo os russos, mas sim um agente terrorista provocador que na verdade estava ajudando os russos a justificar a anexação da Abecásia. De acordo com o pai ortodoxo cristão de al-Shishani/Batirashvili, Tarkhan não foi à Síria por causa de religião, ele apenas quer ganhar dinheiro.

O artigo anterior de Laurinavicius, “A Rússia de Putin: Porque vale a pena reconsiderar as ligações entre o Kremlin e o terrorismo internacional”, também provê informações importantes. Assim como a Lua, a Rússia tem a face que todos veem e um lado oculto. Hoje em dia essa face não é comunista. Ela finge ser conservadora, talvez nacionalista, e até mesmo pró-cristã. Enquanto isso, o lado oculto da Rússia não é visto. Os princípios que governam a Rússia são negados; eles continuam ocultos e obscurecidos. Resta-nos deduzir esse lado oculto perante alguns fatos a se considerar.

Se quisermos entender a chantagem nuclear que está a se desenrolar na Europa, a sabotagem política ou o terrorismo que vem sendo uma constante desde o começo do século, então precisamos olhar para o lado oculto da Rússia. Lá encontraremos respostas.

Fontes: Jeffrey Nyquist para o MsM

Pastor estadunidense afirma que casamento homossexual abre caminho para o Anticristo

O pastor Robert Jeffress lidera a influente Primeira Igreja Batista de Dallas, uma megaigreja com mais de 11 mil membros. Associado à conhecida Convenção Batista do Sul, ele tem chamado atenção por suas declarações polêmicas. Ano passado, afirmou que os líderes cristãos estão apoiando satanistas e ateus ao se omitirem. Também asseverou que a reeleição de Obama levaria o mundo para o reinado do Anticristo.

Com o lançamento de seu novo livro, ele volta a causar polêmica. Com o título sugestivo de Countdown to the Apocalypse [Contagem regressiva para o Apocalipse], a obra lista os sinais contemporâneos de que a volta de Jesus pode ser ainda nesta geração. Alguns líderes cristãos o classificam como alarmista, enquanto outros acreditam que ele está tocando em assuntos que não podem mais ser ignorados pela igreja.

Jeffress lembra que ninguém pode saber exatamente quando ocorrerá a volta de Cristo, mas ele faz um estudo, lembrando, “Jesus disse que haveria certos sinais que precederiam Sua vinda, e estes sinais seriam como as dores de parto que uma mulher experimenta”.

Entre os “sinais” ele destaca o fortalecimento do grupo terrorista anticristão Estado Islâmico. O pastor acredita que os cristãos estão se tornando insensíveis à perseguição, simplesmente aceitando tudo, ao invés de se posicionar em oração. “Eu acredito que estamos ficando insensíveis a isso [perseguição], o que abrirá o caminho para o mundo futuro, quando o anticristo perseguir e martirizar os cristãos não haverá repercussão alguma”, aponta Jeffress.

“Paulo disse que nos últimos dias haveria tempos terríveis, e a palavra ‘terrível’ significa ‘sem restrições’. Acredito que é isso o que estamos vendo hoje”, afirmou ele ao site Charisma News. O pior, segundo ele, é que quando os cristãos tomam uma postura, eles é que são rotulados como extremistas.

Isso estaria ligado ao outro “importante sinal”, apontado por Jeffress no livro: a normatização da imoralidade. Isso inclui tudo, desde o casamento gay até o aborto, que passaram a ser aceitos pela sociedade e ensinados nas escolas. Para o pastor o aumento das ameaças de outras nações contra Israel também é um forte indicativo.

O pastor reconhece que a perseguição contra os cristãos, a imoralidade e as ameaças aos judeus existem há milênios, mas agora estariam o status de normalidade e não de exceção.

Fonte: Gospel Prime

Estado Islâmico: vídeo revela a selvageria louca que o “politicamente correto” ocidental teima em esconder (VÍDEO)

 

O Estado Islâmico publicou, esta terça-feira, um vídeo em que mostra a execução do piloto jordano Moath al-Kasaesbeh. O militar foi preso pelos extremistas dentro de uma jaula e queimado vivo. Antes da execução, o piloto dirigiu-se diretamente à câmara, com um olho negro, e revelou detalhes sobre a missão que cumpria no âmbito da coligação internacional. A televisão pública jordana confirmou a morte do piloto e afirma que ele foi morto há cerca de um mês, tal como tinha sido avançado por elementos da oposição ao Estado Islâmico, na cidade de Raqqa.

A  Jordânia tentou negociar a libertação do piloto, por troca com uma bombista iraquiana condenada à morte, mas as negociações pararam, quando os extremistas não aceitaram provar que Moath estava vivo. Moath era piloto de caças F-16 e estava envolvido nos bombardeamentos contra o Estado Islâmico. Foi capturado quando uma avaria no avião o fez despenhar numa zona controlada por terroristas. No sábado passado, oa militares da organização jiadista execultaram o refém japonês Kenjo Goto, um jornalista de 47 anos capturado em finais de outubro. Além dos dois japoneses e do piloto jordano, o Estado Islâmico reivindicou, desde agosto, ter executado cinco reféns ocidentais:três norte-americanos e dois britânicos.

Em Washington, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que no caso de ser verdadeiro, o vídeo mostra a “barbárie” do Estado Islâmico. “Se aquele vídeo for autêntico, é mais uma prova da crueldade e da barbárie daquela organização”, afirmou Barack Obama. Fonte: Em Defesa da Fé.

 

ATENÇÃO: O LINK ABAIXO LEVA DIRETAMENTE À PARTE FINAL DA EXECUÇÃO DO PILOTO JORDANIANO. CONTÉM CENAS EXTREMAMENTE FORTES. ACONSELHAMOS DISCERNIMENTO POR PARTE DO INTERNAUTA.

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Fonte: Tribuna da Parnaíba.

NOTA: Este é o Islamismo que o “Politicamente Correto” ocidental (mídia, intelectualismo etc.) tenta desesperadamente esconder, pois seu projeto anticristão é ainda mais forte que quaisquer barbáries perpetradas pelos islâmicos. Não mostrar as imagens é arrefecer a opinião pública ocidental, já tão envolvida com a cultura da violência. A notícia quase que se nos passa desapercebida, como uma “nota de rodapé” jornalística, cujas manchetes dão infinitamente mais atenção às questões econômicas do que quaisquer outras. Se o EI é um conjunto de bestas selvagens com práticas desumanas, o Ocidente tem-se tornado um aglomerado de “bestas quadradas”, insensíveis àquilo que o cerca…. mesmo que seja o clamor de milhares de inocentes, principalmente no Oriente, que cedem ante a fúria do extremismo radical islâmico. Que o digam as milhares de pessoas perseguidas/mortas por causa de sua fé cristã no Egito, Irã, Arábia Saudita, Síria, Iraque, etc.

Rússia prepara exercícios militares com Cuba, Vietnã, Coréia do Norte e Brasil

BRICS: Plataforma de ação do Império Eurasianista

A Rússia está aperfeiçoando suas forças nucleares e a força aérea espacial do país. Os planos incluem colocar em serviço quatro regimentos de mísseis, dois novos submarinos nucleares (Vladimir Monomakh e Alexander Nevsky) e mais 50 novos mísseis balísticos intercontinentais.

borei_class_l1A primeira reunião de 2015, o ministro da defesa Serguei Shoigu definiu os planos para esse ano, incluindo manobras militares com Cuba, Coréia do Norte, Vietnã e Brasil. O recém estreado Centro Nacional de Gestão de Defesa foi sede da reunião. O chefe do Estado Maior da Rússia, general Valeri Gerasimov, apresentou um informe com os planos estratégicos do país, e acusou as atividades da OTAN nas fronteiras russas como violatórias dos acordos de armas nucleares de alcance médio.

As visitas de destróiers e cruzadores da OTAN no Mar Negro  e a construção do sistema de defesa de mísseis na Romênia e Polônia, são vistos pela Rússia como ameaças que devem ser suplantadas por uma maior capacidade potencial do exército russo. Shoigu declarou que a tarefa do exército ordenada pelo presidente Vladmir Putin é não permitir a superioridade militar estrangeira e centralizar toda a atenção no perfeccionismo das forças nucleares russas e a criação de uma nova fase nas forças armadas, com uma força aérea espacial.

O plano de cooperação internacional propõe fortalecer o Conselho de Segurança Coletiva da OTSC (Organização do Tratado de Segurança Coletiva), o fortalecimento da cooperação dentro da Comunidade de Estados Independentes e a Organização de Cooperação de Shangai, o desenvolvimento da cooperação dos estados membros dos BRICS, assim como os tradicionais sócios russos na região da Ásia-Pacífico. Foi declarada as conversações para a realização de exercícios navais e aéreos conjuntos com os exércitos de Cuba, Vietnã, Corẽia do Norte e Brasil.

Fonte: Radio Vox